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Plantando o futuro: a produção de mudas no Parque

31/03/2017

Basta andar pelas ruas do município de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, para ver parte do resultado de quase 10 anos do trabalho que o Parque Fioravante Galvani realiza na produção de mudas nativas do Cerrado. A maioria das árvores nativas que hoje embelezam e dão sombra a canteiros e praças da cidade foram produzidas no Parque e plantadas pelos moradores ou estudantes que participaram de atividades de educação ambiental.

Esse é apenas um dos resultados desse projeto que é um dos pilares da organização. Indo para a região rural, também é possível encontrar bosques completos que nasceram a partir de mudas que os fazendeiros receberam do Parque. Muitos produtores voltam, ano a ano, para contar felizes e agradecidos sobre o desenvolvimento das árvores e solicitar mais exemplares para continuar a recuperação das suas propriedades. Melhor: com as espécies da própria região, o que ajuda a valorizar o Cerrado!
Nessa edição do Frutos, você vai saber mais sobre a história desse projeto e os resultados que ele trouxe à região de Luís Eduardo Magalhães. Confira:    

 

Histórico
O trabalho com as mudas nasceu praticamente junto com o Parque, dentro das atividades de educação ambiental. No início, a prática de coleta e plantio de sementes com as crianças foi utilizada para tratar de diversos temas envolvendo o Cerrado, as plantas da região e o cuidado com a natureza. No final do ano, as escolas recebiam as mudas para plantar e distribuir. Em 2011, veio a primeira parceria com uma fazenda e a construção do Viveiro de Mudas, com capacidade de produção de 60 mil unidades. Nos anos seguintes, a produção oscilou de acordo com a demanda e abasteceu produtores locais e eventos como o Bahia Farm Show, onde os visitantes levavam para casa as futuras árvores. Em 2017, uma nova etapa se inicia com a necessidade de mudança da estrutura do viveiro veio a parceria com a Enel Green Power o Parque recebeu as sementes coletadas na área do empreendimento da empresa e ela está custeando a estrutura, esperamos estar com tudo pronto até agosto.

 

 

Variedade de espécies
Cerca de 25 espécies nativas já foram produzidas no Parque. Hoje, o foco está entre 10 a 15 espécies que são mais fáceis de germinar e têm maior saída. É o caso dos ipês, do jatobá, do jacarandá e da aroeira. A produção varia de acordo com a disponibilidade de sementes.

 

Importância do trabalho
“A distribuição de mudas começou com o caráter de sensibilização da comunidade com relação à falta ou precariedade da arborização urbana, além de um trabalho de valorização do Cerrado, um bioma que sempre foi pouco valorizado”, explica Gabrielle Bes da Rosa, coordenadora de Educação Ambiental do Parque. “Com o tempo, vieram as demandas por conta da recuperação de áreas de APP e de Reserva Legal em fazendas da região, de acordo com o código florestal e, nos últimos 5 anos, através do Programa de Regularização Ambiental (PRA)”, completa Gabrielle.

Parceiro dos produtores rurais
O Parque se transformou em um aliado deles no processo de recuperação da área nativa obrigatória em suas fazendas. Os produtores que já iniciaram o Programa de Regularização Ambiental podem adquirir mudas no Parque, com a vantagem de serem espécies da própria região, terem um menor custo de produção e contar com uma logística de transporte muito mais fácil do que se trouxessem exemplares de outros lugares. “O fato das mudas serem daqui, valoriza a genética local e as elas têm maior chance de se desenvolverem no campo”, ressalta Gabrielle.

 

“Temos muito ainda a percorrer na relação com o produtor rural e o olhar dele sobre o Cerrado, mas, cada ano que passa, vemos mais casos de mudanças de percepção, principalmente daqueles que vivem no Oeste Baiano, têm seus filhos e netos aqui e adotaram essa região como sendo deles. Isso nos motiva a continuar!
Gabrielle Bes da Rosa, bióloga do Parque

 

Os frutos
Os fícus e eucaliptos, antes usados na arborização das fazendas, hoje deram lugar a espécies nativas do Cerrado na preferência dos agricultores. Tudo por conta do trabalho realizado durante todos esses anos. Mas não é apenas na área rural que as mudas distribuídas pelo Parque fizeram a diferença. A maior parte das árvores nativas que se vê nas ruas e canteiros de Luís Eduardo Magalhães foram mudas produzidas no Parque e distribuídas nos diversos projetos que ele realiza ou apoia. “Muitas crianças que participaram de atividades hoje são adultos e sabem o valor da sombra de uma árvore que eles mesmos plantaram”, diz Gabrielle.


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